Participei recentemente do SAP Inside Track Rio de Janeiro 2026, um evento focado em trocar experiências técnicas dentro do ecossistema SAP.
Fui como Gerente de Projetos — não como desenvolvedora, não como arquiteta — e voltei com uma constatação clara: a Inteligência Artificial não é mais um tema “de TI”. Ela virou um tema de governança, de metodologia e de gestão de projetos.
De ferramenta a arquitetura de negócio
A IA deixou de ser um recurso pontual (um chatbot aqui, uma automação ali) para se tornar parte da arquitetura de negócio. Isso muda a pergunta que o GP precisa fazer:
❌ “Como incluo IA nesse projeto?”
✅ “Como esse projeto se conecta a uma estratégia de IA que já atravessa a empresa inteira?”
A sessão sobre os novos papéis dos consultores na era da IA deixou isso nítido ao demonstrar o Joule em produção em uma empresa real. Não era protótipo: era adoção com resultado mensurável.
Para quem gerencia entregas, isso muda a régua. O critério de sucesso não é só “funcionou”, é gerar valor de forma sustentável.
Governança: o tema central
IA sem governança escala risco na mesma velocidade que escala valor. Os pontos de destaque do evento foram:
🔹 LOOP de valor: Pensar a jornada de IA como um ciclo contínuo de geração de valor, não como um go-live pontual. Isso reforça a lógica de que entrega não é evento, é processo.
🔹 SAP Activate em projetos de IA: Trazer disciplina metodológica para iniciativas que ainda são tratadas como “experimentais”. É o mesmo raciocínio de usar Story Points e cerimônias SAFe em automação: sem estrutura, IA vira gambiarra cara.
🔹 Autonomous Enterprise: A visão de processos autônomos orquestrados por IA. O papel do GP não desaparece; ele se desloca de “microgerenciar tarefas” para “orquestrar decisões”.
🔹 TOGAF aplicado a qualquer sistema: Framework de arquitetura corporativa que conecta IA, dados e processos numa cadeia coerente. Utilizando o ciclo ADM (da visão inicial e arquitetura de negócio até a governança e gestão de mudança), o TOGAF (versão 10) dá segurança para decidir escopo em projetos que cruzam múltiplas camadas.
O que isso muda no meu dia a dia
Atuando com entregas em Salesforce, SAP, Lecom, RPA e outras multiplataformas, vejo essa urgência na prática. O papel de quem gerencia projetos exige, cada vez mais, fluência em governança de dados e arquitetura de IA.
Isso não significa que o GP precisa virar cientista de dados, mas sim saber fazer as perguntas certas e trazer metodologia para evitar que projetos promissores morram inconclusivos.
Um reflexo direto disso é a evolução do PMO tradicional para o VMO (Value Management Office): o sucesso deixa de ser medido apenas por prazo e orçamento, passando a acompanhar se o valor prometido realmente chegou ao negócio.
O protagonismo de quem entende o negócio
Quem conhece o negócio a fundo ganha protagonismo para viabilizar o uso real da IA. Em setores com impacto direto na sociedade — saúde, seguros, energia, mobilidade —, IA bem governada é ferramenta de impacto real na vida das pessoas.
Dentro dessa estrutura de governança, duas atuações se destacam e se completam desde o início do projeto:
- Analista de Negócio: Garante que a solução está correta, traduzindo as regras de negócio e especificações.
- Service Designer: Garante que a jornada faz sentido, desenhando a experiência de ponta a ponta e definindo os pontos de contato com a IA.
Essa combinação garante precisão antes do code começar evitando retrabalho e direcionando o esforço técnico para o que importa.
A camada social da tecnologia
Saio do evento com a agenda clara: aprofundar a governança de IA entender o Autonomous Enterprise na prática e aplicar a visão holística do TOGAF nas entregas que lidero.
Mas carrego também a minha bagagem em Sociologia. Ela me faz perguntar: “Que tipo de relação essa arquitetura cria entre as pessoas e o sistema?”
Adoção de IA é um fenômeno social. Envolve resistência à mudança, disputas de poder, inclusão digital e a construção de confiança. Um projeto de IA pode ser tecnicamente impecável e, ainda assim, falhar se ignorar essas dinâmicas humanas.
No fim, o conteúdo técnico é fundamental, mas a troca com quem está no campo de batalha — consultores, arquitetos e gestores da comunidade — continua sendo o maior aprendizado.
💬 E no seu contexto de projetos: as iniciativas de IA já fazem parte da arquitetura de negócio ou ainda são tratadas como experimentos isolados? Vamos trocar ideias nos comentários!
Ana Carina Lauriano Gerente de Projetos e Delivery na go2Win Formada em Sociologa pela UFRJ, MBA Gerenciamento de Projetos, Metodologia Agil PUC-SP, Certificações SAP, Salesforce, Scrum, Lecom.
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